segunda-feira, 20 de junho de 2011
DEPOIMENTO 2
sexta-feira, 17 de junho de 2011
A SEXUALIDADE HUMANA
Quero aproveitar o espaço do meu blog para destrinchar de maneira compacta temas abaixo. Os textos serão postados na seguinte ordem:
- PSICOSSEXUALIDADE
- HOMOSSEXUALIDADE: O QUE PENSO A RESPEITO.
- DISTÚRBIOS DO COMPORTAMENTO SEXUAL (PARAFILIAS)
- RELIGIOSIDADE/ESPIRITUALIDADE
- LOUCURA À LUZ DA PSICOLOGIA
Abaixo de cada texto será postado também um trecho das várias entrevistas que fiz com homossexuais e utilizei para a construção do protagonista do meu livro. Foi ocultado o nome e quaisquer informações que pudessem ser utilizadas para identificação do entrevistado.
PSICOSSEXUALIDADE
Falar sobre sexualidade não é nada simples devido a sua peculiar complexidade. O Compêndio de Psiquiatria nos alerta de que sexualidade e personalidade estão tão entrelaçados que seria praticamente impossível falar sobre a sexualidade como uma entidade separada. Por isso, em razão do desenvolvimento e do funcionamento da personalidade serem afetados pela sexualidade é usado o termo PSICOSSEXUALIDADE.
Em primeiro lugar é preciso abrir um parêntese: a ciência entende o ser humano adulto como sendo o produto final de uma equação cujo resultado é denominado FENÓTIPO. O fenótipo é a soma de duas partes: GENÓTIPO + AMBIENTE. Em resumo o genótipo constitui-se em toda a carga genética com a qual nascemos – a biologia e fisiologia do corpo humano. O ambiente corresponde ao meio familiar e social no qual vivemos; a maneira como aprendemos a interagir com o mundo e no que isso nos influencia.
Agora podemos prosseguir. A sexualidade depende de quatro fatores psicossexuais interrelacionados que afetam diretamente o crescimento, o desenvolvimento e o funcionamento da personalidade: IDENTIDADE SEXUAL, IDENTIDADE DE GÊNERO, ORIENTAÇÃO SEXUAL E COMPORTAMENTO SEXUAL.
1) IDENTIDADE SEXUAL – A identidade sexual está relacionada ao padrão de características sexuais biológicas:
a) Morfologia genital exterior – pênis e vagina;
b) Padrão da cromatina sexual – XX (mulher) e XY (homem);
c) Presença das gônadas – ovários e testículos. São também chamados de órgãos sexuais internos.
d) Níveis plasmáticos de hormônios sexuais – hoje sabe-se que tanto homens quanto mulheres produzem testosterona, estrogênio e progesterona. A diferença é que nos homens o nível de testosterona é muito maior enquanto que na mulher o estrogênio e a progesterona são maiores. Esses hormônios são importantes porque determinam as características sexuais secundárias como, por exemplo, a barba nos homens e a aumento dos seios nas mulheres.
e) estruturas acessórias do aparelho reprodutor. Na mulher: tubas uterinas e útero. No homem: canais deferentes e próstata.
Resumindo, estamos falando a respeito de um sexo biológico, endócrino e somático.
2) IDENTIDADE DE GÊNERO – A identidade de gênero está relacionado ao social. Normalmente, os homens tendem a ser masculinos e as mulheres, femininas. Mas bem sabemos que nem sempre é assim. A estrutura biológica descrita acima não é suficiente para determinar o gênero (masculino e feminino). Ao falarmos de gênero usamos a expressão sexo social.
3) ORIENTAÇÃO SEXUAL – Diz respeito ao objeto do impulso sexual de uma pessoa: heterossexual (sexo oposto); homossexual (mesmo sexo) e bissexual (ambos os sexos).
4) COMPORTAMENTO SEXUAL – Está relacionado a uma resposta fisiológica, onde a excitação ocorre devido a um fator físico ou psíquico.
Ao falarmos de orientação e comportamento sexual, estamos nos referindo a um sexo psíquico.
DEPOIMENTO 1
S. P. F. (homem, 28 anos) – Muitas pessoas me perguntam quando eu virei “gay”. E eu sempre respondo que nunca “virei”, pois na verdade desde criança eu já me sentia diferente dos outros garotos. Aos seis anos de idade eu tinha uma certa noção de minha diferença. Já apreciava com um interesse os outros meninos e preferia a brincadeira ao lado das meninas.
Não posso dizer com clareza o que causou essa mudança. Meu pai era um viciado em cachaça. Participou muito pouco da minha infância. Minha mãe, como quase todas as mulheres da minha família, se mostrava mais forte, dominadora e líder de todos nós. Eu me lembro que eu dizia que quando crescesse eu queria ser igual a ela.
Aos oito anos tive minha primeira relação sexual. Fiz sexo oral com meu primo que na época tinha 15 anos. Me confundo as vezes no que diz respeito a esse episódio, pois não sei se posso dizer que foi um abuso ou não. Meu primo nunca me machucou e eu gostava do contato com o corpo dele. O engraçado é o pacto de silêncio que tínhamos. Ninguém contava a ninguém. Nos nossos encontros às escondidas, o que aconteceu várias vezes, tínhamos contato físico além do sexo oral.
Hoje ele é casado com uma mulher, tem uma filha e poucas vezes nos vemos. E quando isso acontece não tocamos mais no assunto. É como se fingíssemos que não aconteceu. Sou um homossexual assumido, solteiro no momento e ainda não totalmente resolvido. È impossível aceitar essa condição sem sofrimento. Às vezes ainda me pego chorando por medo da solidão e da rejeição. Minha família nunca me ouviu dizer que sou homossexual, apesar de não ter dúvidas que todos eles sabem, principalmente minha mãe.
terça-feira, 14 de junho de 2011
UM SER SOLITÁRIO...
Hoje, com 32 anos, eu aprendi que sou de fato um ser diferente. Desisti de acreditar no ser humano, na felicidade e num mundo injusto e que caminha rumo ao fim. Alguns me chamam de pessimista e de fato talvez eu seja. A verdade é que eu vejo o mundo através de uma outra ótica. Como posso me deixar envolver por um mundo de tragédias, doenças e miséria. Não tenho sonhos materiais, não sou um consumidor ferrenho como a maioria dos brasileiros, detesto aglomerações, convenções sociais, sorrisos forçados, falsos elogios e pessoas sem nada a acrescentar à minha existência. Tenho sim, confesso, planos para a contemplação e a elevação do espírito, tornar-me um ser imortal através das obras que escrevo, sentir-me útil na medida em que produzo algo. E essas aspirações são de fato a fonte de todos os meus sofrimentos e angústias hoje. Tenho de suportar um trabalho difícil que não contribui em nada para o crescimento do meu espírito. Sinto que poderia muito mais se pudesse me dedicar plenamente aos verdadeiros anseios de minha alma, dotada de um desejo infindável pela transcendência através do conhecimento, da arte e da religião. O que faço no meu trabalho qualquer um seria capaz de fazer, mas o dom que me foi dado é para poucos. Começo a sentir que uma vida assim talvez nem valha a pena continuar sendo vivida.
Espero confiante que Deus ao menos possa me perdoar e entender meus pensamentos que, para alguns, podem ser interpretados como ingratidão e amargura. Asseguro a todos que não se trata nem de uma coisa nem outra. Aguardo esperançoso o dia em que receberei de Seus braços um abraço reconfortante e uma compreensão que hoje, talvez por minha fé limitada e resultado do acúmulo de decepções, eu não consigo entender.
Ultimamente tenho lido as obras de Arthur Schopenhauer e tenho me identificado muito com seus pensamentos.
Faço deles as minhas palavras:
“Num mundo tão irrestritamente comum, todo aquele que for extraordinário irá necessariamente se isolar, e de fato se isola”.
“Acostumei-me a suportar demasiado os homens porque cedo compreendi que teria de fazê-lo, caso de algum modo quisesse lidar com eles. Todavia esta máxima nasceu de um jovem carente de relações. Experiência e maturidade tornam tais relações dispensáveis...”
“O que um homem de minha espécie pensa e sente não tem semelhança alguma com o que as pessoas ordinárias pensam e sentem”.
“Tão logo comecei a pensar, entrei em discórdia com o mundo. O mundo tornou-se para mim vazio e ermo! Nada encontro no mundo senão homens miseráveis, sofríveis, de cabeça limitada, coração ruim, sentimentos vis...”
Ao escrever essas linhas que mais se assemelham a um desabafo nem sei ao certo para quem escrevo. Talvez seja para mim mesmo tendo a débil esperança de fazer assim aquietar meu pobre espírito.